segunda-feira, 17 de outubro de 2011

um vício que quando pára não consegue começar
iludida desilusão
pra tudo e pra sempre, 
o cheiro da chuva
e a xícara de café
a chama

domingo, 16 de outubro de 2011

faça o meu amor

ei, você
deixa o meu amor pintar a tela
deixa pingar, suar, sair
pra fora dela
mudar de cor
do vermelho para o azul


pára e captura o instante nu

virou fotografia amarela
de longo tempo
contínuo e seco
ambíguo, incerto
do lado de dentro
da janela


com desfoque emocional
pela aérea retina
fuga de qualquer carnaval
vão as cores, vai embora
fecha a cortina
ainda não é hora
do amor e do vento entrar
no quintal quero apenas
o som das flores e folhas 
a girar


volta
por que a tela
de tão bela
ganhou moldura
cuida
e não deixa a exposição de domingo 
passar

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

guarapa

perfeito será
não pra mim
de proveito será
pra alguém
até o fim

afrika bambaataa
yellow submarine

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

já visto


o que antes fora considerável
mantido foi por ignorância
ao tempo e à correnteza dos fatos

fracionou-se por completo em três atos 
de palavra equivocada
às demais frações do ser, contada
numa ode ao id, permitida

e por uma fração de liberdade,
em queda,

amortecida


como se fosse de verdade.

não bastante
o que já era previsto,
planejado e com gosto medido
aqui me permito
deixar assim, diluído


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

de leve

me queima, sopra, seca
contrasta ao peso do passado
o movimento da pena
à saltos calmos
agora presa
de um quase vôo

escrevo
trato
cuido das formas de amar
saúde
do amor que é para si
e daí
para o mundo
que vai,  não cerca
se soma, não completa
quando escapa pelos poros
se aperta
arranca a grama e sente a terra
a raíz, bagagem leve
transcende a matéria
é velho, não envelhece
molha, ferve, aquece
se for insípido, inodoro e incolor
não é de amor

Tropêssego

um abraço, eu caio
uma verdade, me calo
uma paixão, me corrói
mais uma vez,
tropeço: chega de abraço.
não quero
não peço
eu passo